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ORÁCULO
Quando um militar quer exercer o poder civil, ele deve se submeter às condições de investidura no cargo.

GOVERNO CIVIL


JOBIS PODOSAN


Há, sem sombra de dúvida, certa quantidade de acenos, explícitos ou camuflados, para que se instale no Brasil um governo militar. Não existem governos militares, todo governo é civil, porque a nação é civil. A atividade de governar é dirigido à cidadania, portanto civil. Pode haver militar no governo, mas este é civil. Militar é o cidadão civil temporariamente investido na condição de cidadão militar. Estes estão serviço daqueles e não ao contrário. Militar é guarda, segurança da pátria e não a pátria em si mesma. Militar é profissão digna, como são todas as demais, igualmente imprescindíveis ao bom funcionamento da sociedade. Quando um militar quer exercer o poder civil, ele deve se submeter às condições de investidura no cargo e não colocar a força que lhe foi atribuída pela Constituição e pelas leis para bem servir ao povo e ao seu país, para usurpar o poder ao qual está necessariamente subordinado. Quando o comandante das tropas americanas  na Segunda Guerra Mundial quis ser presidente daquele país,  apresentou seu nome ao eleitorado e pediu que fosse eleito. Os cidadãos aquiesceram e o elegeram e reelegeram. Tornou-se o grande presidente Dwight Eisenhower e foi o 34º Presidente dos Estados Unidos de 1953 até 1961. De chefe militar passou a chefia da nação na condição de cidadão, como outro qualquer. Militares quando exercem o poder civil não podem transformar o país em teatro de operações de guerra, como não poderia o cidadão médico transformar o país num grande hospital ou um sindicalista eleito presidente transformar o país numa república sindical. O país é plural e nenhuma classe adapta o país a suas respectivas profissões, seja ela qual for, porque não se pode comprimir o todo dentro de uma das suas partes.  Todo cidadão, antes de ser militar, é civil. Todo cidadão que ultrapassar com vida o seu tempo de militar, voltará a ser civil, qualidade que nunca perde, um momento algum, sendo igual a todos os demais. Portanto, será sempre bem aceito na chefia da nação, o militar que seja eleito para a Presidência na forma prevista na Constituição. De igual maneira, será mal visto o militar que chegue ao poder ou nele se mantenha pela força. Não se trata de sucesso, mas de fracasso retumbante. Militares não são cidadãos especiais pela só condição de ser militar, precisam ser experimentados na sua própria função e nela alcançar o destaque e as credenciais necessárias para chefiar a nação, como o fizeram Ensenhower e De Gaulle e peçam o consentimento dos seus concidadãos para governá-los. Aliás, o governo atual é a prova cabal de que o governo e a autoridade são civis, pois, num governo dito militar, um capitão não poderia subordinar generais. 



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